Quando a Samsung fala, o mercado mobile presta atenção. Durante a CES, a empresa mudou o foco do “próximo recurso de câmera” para algo maior: colocar inteligência artificial em praticamente tudo que fabrica.
O plano anunciado por TM Roh, co-CEO da marca, é ousado: dobrar a quantidade de dispositivos móveis compatíveis com o Google Gemini, saltando de 400 para 800 milhões de unidades ainda em 2026. A meta marca a transição da IA de laboratório para o cotidiano do consumidor.
Samsung e inteligência artificial: 800 milhões de dispositivos na mira
O número confirmado à agência Reuters por TM Roh representa um aumento de 100% em relação ao volume do ano anterior. Segundo o executivo, a intenção é acelerar a adoção de recursos de IA generativa em smartphones, tablets e wearables.
Para o usuário, isso significa ter assistentes mais contextuais, tradução em tempo real e sugestões automáticas baseadas em hábito de uso. Em outras palavras, a Samsung quer que a inteligência artificial passe a operar nos bastidores de forma transparente, sem exigir comandos específicos.
O que muda para o usuário
Com a expansão, quem já possui um aparelho recente poderá receber parte das novidades por atualização de software. Modelos mais antigos ficam de fora, mas a sul-coreana garante que seu portfólio 2026 em diante chegará pronto para aproveitar o Google Gemini.
Integração em toda a casa conectada
A ofensiva não se limita ao bolso do consumidor. Na feira de Las Vegas, o ecossistema Samsung e inteligência artificial apareceu em eletrodomésticos, TVs e até em um robô aspirador de pó.
Do ponto de vista estratégico, colocar IA em diferentes categorias amplia a coleta de dados, refina os modelos de aprendizado e fortalece os serviços da plataforma SmartThings.
Robô aspirador Bespoke AI Jet Bot Steam Ultra
Equipado com sensor estéreo 3D, o aparelho detecta obstáculos transparentes, como água derramada, desviando sozinho. É a mesma linha de raciocínio aplicada nos celulares: deixar a tecnologia fazer o trabalho em segundo plano.
Vision AI Companion nas novas TVs
Integrado aos televisores, o assistente recomenda filmes, ajusta áudio e imagem conforme o ambiente e até sugere receitas enquanto o espectador assiste a um programa culinário. O destaque fica para a primeira TV micro-LED RGB de 130 polegadas, que combina o painel gigante a recursos de IA para calibrar cor e contraste.
Bespoke AI Family Hub
A geladeira reconhece itens internos pela câmera, cruza a informação com o Google Gemini e propõe cardápios. Faltou leite? A tela avisa e ainda sugere a compra online. O mesmo conceito aparece na Bespoke AI Laundry Combo (lava-e-seca) e no AirDresser, que elimina amassados de roupas automaticamente.
Freestyle+ projeta imagem otimizada em qualquer superfície
Portátil, o Freestyle+ ajusta o quadro mesmo em cortinas ou quinas. A função AI OptiScreen mede a textura, corrige distorção e calibra brilho sem intervenção do usuário.
Imagem: Carsten Drees
Parceria com Google Gemini acelera adoção em massa
O acordo com o Google oferece à Samsung acesso prioritário ao modelo Gemini, que engloba reconhecimento de imagem, texto e voz em um único pacote. Essa sinergia simplifica a implementação de recursos e garante consistência entre aparelhos móveis e eletrodomésticos.
Segundo analistas de mercado, a combinação de hardware robusto, base instalada gigantesca e IA do Google cria uma barreira de entrada para concorrentes que ainda preparam suas próprias soluções.
Impacto para concorrentes e mercado brasileiro
Enquanto marcas rivais alinham estratégias, a Samsung já testa funcionalidades em grande escala. Ao coletar dados de uso real, aperfeiçoa rapidamente os algoritmos e entrega melhorias por atualização de firmware.
No Brasil, modelos topo de linha da série Galaxy S costumam chegar na faixa de R$ 5.000 a R$ 9.000, dependendo da configuração. Já eletrodomésticos da linha Bespoke variam de R$ 3.000 a mais de R$ 20.000. A empresa não divulgou valores para os lançamentos com IA apresentados na CES, mas a tendência é que os preços sigam patamar semelhante aos produtos premium atuais.
Disponibilidade e expectativa local
A divisão brasileira confirma que os principais aparelhos mostrados nos Estados Unidos serão lançados por aqui em 2026, porém ainda sem datas específicas. Assim que forem homologados pela Anatel, os preços oficiais serão revelados.
Por que a Samsung corre contra o tempo
A pressão por lançar primeiro não é apenas vaidade. Quanto antes a marca colocar funções de IA nas mãos do público, mais rápido coleta feedback e ajusta falhas. A leitura nos bastidores é que a companhia prefere aprender com uso real a esperar pela solução “perfeita”.
Para o Mania de Celular, que acompanha de perto o mercado mobile, a estratégia reforça a percepção de que a disputa não gira mais em torno de especificações isoladas, mas da capacidade de oferecer um ecossistema inteligente coeso.
Enquanto assistentes rivais ainda esbarram em limitações de idioma e disponibilidade regional, a Samsung aposta na escala: quanto maior o número de dispositivos, maior o volume de dados e, consequentemente, a velocidade de evolução dos serviços de inteligência artificial.
