Quem já viu as sugestões do Spotify se perderem depois de colocar música infantil para o sobrinho ou sons de chuva para dormir sabe como é difícil “desbagunçar” o algoritmo.
Para resolver o problema, a plataforma começou a testar o Taste Profile, função que exibe e deixa alterar, em linguagem natural, tudo o que a inteligência artificial entende sobre seu gosto musical.
Como funciona o Taste Profile do Spotify
A novidade foi apresentada em março, durante o festival SXSW, em Austin (EUA). O recurso concentra, em um único painel dentro do aplicativo, todos os dados de audição de música, podcasts e audiolivros.
Na prática, o usuário enxerga quais gêneros, artistas e moods o Spotify associa ao perfil e pode ajustar o resultado na hora, digitando instruções simples, como “quero mais faixas animadas de rock pela manhã” ou “remova sons para dormir das minhas recomendações”.
Controle fino do algoritmo
Diferente da opção antiga que apenas excluía faixas individuais, o Taste Profile do Spotify interpreta contextos de curto e longo prazo. Treina para maratona? Informe que precisa de batidas aceleradas diariamente. Passa o trajeto até o trabalho ouvindo podcasts de notícia? Marque isso como hábito fixo. O feed inicial se reorganiza imediatamente, refletindo as novas prioridades.
Disponibilidade e quem pode usar primeiro
O teste beta começou com assinantes Premium na Nova Zelândia. O histórico da empresa indica um cronograma de expansão em etapas: o Prompted Playlist, por exemplo, estreou no mesmo país e chegou cerca de um mês depois a Estados Unidos, Canadá, Austrália, Irlanda, Suécia e Reino Unido.
Seguindo esse padrão, a chegada ao Brasil tende a ocorrer em seguida, mas a desenvolvedora ainda não divulgou data oficial.
Impacto para o público brasileiro
A oferta local de streaming é ampla e o Taste Profile do Spotify deve se tornar um diferencial competitivo importante. Hoje, o plano Individual no Brasil custa R$ 21,90 por mês; o Duo, R$ 27,90; o Familiar, R$ 34,90; e o Universitário, R$ 11,90. A nova função será restrita a assinantes Premium, segundo a empresa.
Por que o Taste Profile do Spotify era tão aguardado
Listas como Descoberta da Semana e Made for You são motor de fidelização da plataforma, mas também alvo de críticas quando o algoritmo falha. Compartilhar conta, colocar música de ninar ou pular faixas em sequência bagunça o histórico e faz as recomendações perderem relevância.
Imagem: Shutterstock
Até agora, quem quisesse limpar o perfil precisava remover faixas manualmente — tarefa demorada e limitada. Com o Taste Profile do Spotify, essa manutenção fica intuitiva, bastando um comando em português quando o recurso for liberado por aqui.
Integração com outros recursos de IA
O Taste Profile se soma ao Prompted Playlist, ferramenta que cria listas do zero a partir de texto. Enquanto o segundo gera novas mixtapes, o primeiro corrige a base de dados sobre o usuário. A combinação revela a aposta da empresa em inteligência artificial conversacional para personalização profunda.
O que muda na experiência diária
Ao centralizar gostos, moods e horários favoritos, o Taste Profile do Spotify promete feed inicial mais relevante, mixes semanais alinhados ao humor e menos interferência de conteúdos pontuais, como sons ambientes ou playlists para crianças.
O usuário passa a ter papel ativo no treinamento do algoritmo, algo inédito em grande escala no setor de streaming de áudio.
Expectativa do mercado
Serviços concorrentes como Apple Music e Deezer oferecem ajustes manuais, mas nenhum deles libera o modelo de recomendações para edição em linguagem natural. Especialistas veem a mudança como tentativa de conter cancelamentos após sucessivos reajustes de preço.
No Mania de Celular, acompanharemos o cronograma de liberação para saber quando o recurso desembarca oficialmente nos smartphones dos brasileiros.
Por enquanto, a empresa reforça que o Taste Profile do Spotify segue em fase beta e que ampliações ocorrerão “nos próximos meses”, começando por mercados de língua inglesa.
