Quem trabalha com marketing já aprendeu que quem chega primeiro nos novos canais costuma colher mais resultados. Pense no Google no início dos anos 2000 ou no Facebook Ads na década seguinte: os primeiros anunciantes surfaram ondas de tráfego barato e pouco concorridas.
Agora, todos os olhares se voltam para o ChatGPT. A inteligência artificial da OpenAI soma 5,1 bilhões de visitas por mês e 66 milhões de usuários diários. Mesmo sem exibir publicidade, o serviço concentra um volume gigantesco de perguntas, comparações e decisões de compra em potencial.
O cenário atual: tráfego elevado, zero anúncios
Até o momento, a OpenAI confirma que não há unidades publicitárias ativas no ChatGPT. Apesar disso, testes internos com ferramentas de recomendação de produtos mostram que a monetização já está no radar da empresa.
O chatbot domina cerca de 60% do mercado de IA conversacional e é utilizado por 92% das companhias listadas na Fortune 500. Ou seja, quando os anúncios chegarem, eles encontrarão não apenas consumidores curiosos, mas também profissionais e tomadores de decisão.
Engajamento intenso e intenção clara
Ao contrário da busca tradicional, onde a interação se resume a digitar um termo e clicar num link, o ChatGPT mantém diálogos prolongados. Esse formato revela intenções de compra ou pesquisa com muito mais precisão, criando oportunidades inéditas para quem anuncia.
Como a publicidade no ChatGPT pode funcionar
A expectativa é que a inclusão de anúncios preserve a experiência de conversa. Nada de banners piscando na tela; o mais provável é que as marcas apareçam como respostas patrocinadas, integradas ao fluxo de diálogo.
Respostas nativas e patrocinadas
Imagine perguntar “quais são os melhores softwares de gestão financeira?” e receber, junto da lista orgânica, uma recomendação identificada como patrocinada. A lógica é semelhante aos links pagos do Google, mas com tom de consultoria.
Anúncios transacionais
A OpenAI já testa comparativos de produtos dentro do chat. Em breve, poderemos ver botões de compra direta, reservas de serviço ou testes gratuitos sem que o usuário precise sair da conversa.
Segmentação: foco no contexto, não no perfil
Como o ChatGPT evita rastrear dados pessoais, a segmentação tende a se basear no assunto do momento. Se o usuário pergunta sobre abrir um negócio, o sistema pode exibir sugestões de plataformas de contabilidade ou marketing voltadas a empreendedores.
Leilão de conversas
Analistas apostam num modelo de leilão parecido com o do Google Ads, combinando lance, utilidade da resposta e relevância contextual. A qualidade do conteúdo deve pesar mais que o valor pago, incentivando anúncios realmente úteis.
Como medir resultados em ambiente conversacional
No lugar de cliques, o sucesso vai depender de ações assistidas: pedidos de orçamento, downloads de materiais ou compras feitas após a recomendação no chat. Para isso, será fundamental configurar eventos no lado do servidor e vincular dados ao CRM.
Imagem: Andrea Knezovic
Métricas de engajamento profundo
Estudos indicam que usuários do ChatGPT clicam, em média, 1,4 link por sessão, contra 0,6 na busca tradicional do Google. A tendência é que esse engajamento aumente quando houver ofertas relevantes integradas ao diálogo.
Boas práticas de segurança e transparência
Manter a confiança do usuário é prioridade. Cada resposta patrocinada deve ser rotulada de forma clara, seguindo regras rígidas de privacidade. Sem cookies de terceiros, as marcas precisarão apostar em conteúdo de qualidade para se destacar.
Proteção de reputação
Qualquer deslize — como respostas imprecisas ou enviesadas — pode respingar no anunciante. Por isso, tanto a OpenAI quanto as empresas terão de adotar filtros de moderação robustos.
Preparando-se desde já
Mesmo sem inventário disponível, há várias ações estratégicas que podem ser tomadas hoje:
- Otimizar sites para “answer engines”, usando FAQs e dados estruturados;
- Organizar catálogos de produtos com preço, estoque e avaliações;
- Treinar equipes em redação conversacional e design de prompts;
- Configurar rastreamento server-side para futuras campanhas;
- Acompanhar atualizações da OpenAI e participar de programas beta.
Vale lembrar que o Mania de Celular, sempre de olho nas tendências mobile, já vê nesse movimento uma ponte entre intenção de compra e resposta imediata, algo que promete transformar a jornada do usuário.
ChatGPT, Google e redes sociais: canais complementares
Enquanto o Google domina buscas rápidas e as redes sociais estimulam descoberta, o ChatGPT se posiciona no meio do funil: ele responde dúvidas antes da decisão final. Marcas que combinarem esses ambientes tendem a construir funis mais completos e eficazes.
Oportunidade para early adopters
História mostra que quem chega primeiro a um novo formato publicitário paga menos e aprende mais rápido. Se o lançamento ocorrer entre 2026 e 2027, as empresas que já dominarem conteúdo útil e dados estruturados sairão na frente.
No fim das contas, o avanço da publicidade no ChatGPT não é uma questão de “se”, mas de “quando”. Quem se antecipar aos ajustes técnicos e à mudança de mentalidade vai colher os frutos assim que a porta se abrir.
