A Adobe reina há décadas como padrão nas agências de publicidade e estúdios de criação. Só que, a partir de agora, esse cenário ganha um novo elemento de tensão.
O Canva decidiu liberar toda a suíte Affinity sem custo, medida que coloca ainda mais pressão sobre o modelo de assinatura da rival americana.
O que mudou na Affinity com a chegada do Canva
Desde 2019, a Serif comercializava três apps independentes – Affinity Photo, Designer e Publisher – por valores únicos, normalmente inferiores a dois meses de assinatura do Photoshop, Illustrator ou InDesign. Em 2023, a companhia foi adquirida pelo Canva, plataforma que popularizou a criação de peças gráficas pela web.
Agora, em vez de cobrar pelo pacote, o novo dono adotou sua política freemium: qualquer pessoa pode baixar e usar todas as ferramentas sem gastar nada. A única cobrança ocorre para recursos baseados em inteligência artificial, reunidos no recém-lançado plano Canva AI.
Um aplicativo, três áreas de trabalho
Outra novidade é a unificação dos programas. Em vez de instalar três executáveis, o usuário acessa uma única aplicação que reúne fotografia, ilustração vetorial e diagramação em abas. Cada aba mantém seu espaço de trabalho dedicado, mas o menu foi simplificado, diminuindo a curva de aprendizado.
Quanto custa usar Adobe e Affinity no Brasil
Nos Estados Unidos, a Adobe cobra 25,99 dólares mensais por aplicativo profissional. Convertendo pela cotação média de R$5,30, o valor salta para cerca de R$138 por mês em território nacional – sem considerar IOF ou variações cambiais. No plano anual, o compromisso financeiro fica ainda mais alto.
Já a Affinity, que antes exigia pagamento único aproximado de US$55 por licença, agora sai por zero real graças à mudança de estratégia. Se o designer optar pelo módulo de IA, aí sim entra uma assinatura, cujos preços ainda não foram detalhados para o mercado brasileiro.
Pressão competitiva devem aumentar
Oferecer software de design gratuito com nível profissional eleva a régua para outros players, inclusive opções open source como GIMP, Inkscape e Scribus. Essas soluções seguem fortes na comunidade, porém carecem da integração que a Affinity entrega.
Quem ganha com a decisão
Freelancers, estudantes e pequenas agências que não conseguiam bancar assinaturas mensais são os principais beneficiados. Agora, podem acessar edição de imagens, criação vetorial e layout editorial num só lugar, sem recorrer a versões piratas.
Para empresas maiores, a gratuidade facilita a adoção em equipes híbridas. Basta instalar o pacote em máquinas Windows, macOS ou iPadOS e trabalhar imediatamente, economizando licenças corporativas.
Impacto no dia a dia dos criadores
O fluxo criativo muda pouco, já que os atalhos de teclado e a lógica de camadas continuam semelhantes aos padrões da indústria. A grande diferença está na conta bancária no fim do mês, pois a despesa fixa simplesmente some.
Imagem: Matthias Wellendorf
E a resposta da Adobe?
A companhia de San José não comentou oficialmente, mas analistas apontam que movimentos como este podem acelerar promoções temporárias ou novos pacotes voltados a quem está começando. Por enquanto, os planos Photography (Photoshop + Lightroom) e Single App seguem intactos.
Vale lembrar que o ecossistema Adobe inclui integração com After Effects, Premiere e serviços na nuvem. Mesmo assim, a oferta de um software de design gratuito completo estressa esse diferencial.
Possível caminho para aumentar a adoção
O Canva pretende atrair usuários do próprio ambiente online para a versão desktop, oferecendo ponte direta entre projetos na nuvem e arquivos locais. Dessa forma, a empresa mantém o modelo de receita por funcionalidades premium e market place de elementos gráficos.
Como baixar o Affinity de graça
Basta visitar o site oficial da Affinity, escolher o instalador compatível e seguir as instruções. Não há tempo de teste nem serial necessário; o login no Canva autentica a liberação do pacote.
Segundo o comunicado, quem já tinha licenças perpétuas não perde nada – pelo contrário, recebe as atualizações normalmente, sem pagar.
Papel da Mania de Celular na cobertura mobile
A equipe do Mania de Celular acompanha de perto as evoluções no universo criativo, pois boa parte dos nossos leitores produz conteúdo diretamente do smartphone. Com a Affinity gratuita, cresce o interesse por tablets e híbridos, já que o app também roda no iPad.
O futuro do design acessível
A era dos pacotes caros pode estar ficando para trás. Ao democratizar ferramentas de ponta, o Canva obriga o setor a rever modelos de cobrança e coloca o software de design gratuito como protagonista.
Resta acompanhar os próximos capítulos dessa disputa bilionária e ver quem, de fato, conquistará a preferência dos criativos profissionais e amadores.
