Olhar para o topo da tela do celular e ver siglas como GSM, HSDPA ou LTE é quase automático. A maioria das pessoas, porém, não faz ideia do que esses códigos significam e por que eles mudam conforme o sinal.
Se esse também é o seu caso, relaxe. Nas próximas linhas, detalhamos como cada padrão nasceu, que velocidade entrega e por que ainda aparece em aparelhos vendidos no Brasil, tudo em linguagem direta e prática.
GSM: a porta de entrada da telefonia digital
O Global System for Mobile Communications, ou simplesmente GSM, marcou a transição dos sistemas analógicos para a chamada segunda geração (2G). Lançado comercialmente na Europa no início dos anos 1990, ele entregava algo em torno de 14,4 kbit/s para dados, além de voz digital com menos chiado.
No Brasil, as operadoras adotaram o padrão entre o fim da década de 1990 e o começo dos anos 2000. Ainda hoje, o sinal GSM serve como “rede de apoio” em regiões rurais onde 3G ou 4G não chegaram. A cobertura de voz é quase onipresente, mas a experiência de dados se resume a mensagens de texto e apps bem leves.
EDGE e GPRS: pequenas turbinadas no 2G
Para estender a vida útil do GSM, a indústria desenvolveu duas melhorias. A primeira foi o GPRS, que envia pacotes de dados de forma intermitente e cobra pelo volume trafegado, não pelo tempo de conexão. A segunda foi o EDGE, que mudou a modulação do sinal e, na teoria, consegue até 220 kbit/s.
Mesmo limitado, o EDGE ainda pode salvar uploads de fotos em redes sociais quando o 4G some. Em testes informais no interior de São Paulo, a taxa média de download ficou em 70 kbit/s, o suficiente para mensagens instantâneas com texto.
UMTS e a evolução para o 3G
Com o salto de consumo de dados nos anos 2000, surgiu o Universal Mobile Telecommunications System (UMTS), responsável por inaugurar a terceira geração. Ele elevou o teto de velocidade para 384 kbit/s em downloads contínuos, deixando para trás o desempenho de dial-up.
O UMTS chegou ao Brasil em 2007, primeiro nas capitais. Além de navegação na web, passou a ser usado como internet residencial via dongles USB. Aparelhos lançados naquela época já vinham com suporte tanto ao GSM quanto ao UMTS, permitindo troca automática de rede.
HSDPA e HSUPA: o 3G turbinado
A sigla HSDPA aparece como “3,5G” ou “3G+” em muitos manuais. O High Speed Downlink Packet Access empurrou o download teórico para 7,2 Mbit/s, nível comparável à banda larga fixa ADSL da época. Já o HSUPA fez o mesmo caminho no sentido inverso, chegando a 5,8 Mbit/s de upload.
Segundo dados das teles, parte do interior brasileiro ainda depende dessas camadas HSPA para acesso à internet móvel. Se seu telefone exibe “H” ou “H+”, ele está conectado justamente a esse upgrade do 3G.
LTE: o salto para o 4G
O Long Term Evolution, popular 4G, começou a funcionar por aqui em 2013, impulsionado pela Copa do Mundo. Diferente do 3G, o LTE foi pensado para dados, atingindo velocidades reais de 30 a 60 Mbit/s em condições ideais, embora o teto teórico passe de 300 Mbit/s.
Hoje, o 4G cobre mais de 97% dos municípios, segundo a Anatel. Para quem quer um plano pré-pago, chips compatíveis custam a partir de R$ 10 e funcionam na maioria dos smartphones vendidos em lojas físicas ou online.
Imagem: weBoost
Compatibilidade e faixas de frequência
Os aparelhos comercializados no Brasil costumam trabalhar nas bandas 3 (1.800 MHz), 7 (2.600 MHz) e 28 (700 MHz) do LTE. Antes de comprar um celular importado, vale checar se ele suporta essas faixas. Sites de especificação como o GSMArena ajudam na conferência.
Em caso de incompatibilidade, o aparelho recua automaticamente para HSDPA ou até GSM, o que pode explicar quedas drásticas de velocidade em viagens.
Resumo das velocidades das principais redes
Para facilitar a vida de quem pesquisa aparelhos no Mania de Celular, organizamos um panorama simplificado:
- GSM: até 14,4 kbit/s
- GPRS: até 80 kbit/s (médio)
- EDGE: até 220 kbit/s (máximo)
- UMTS (3G): 384 kbit/s
- HSDPA: 3,6 a 7,2 Mbit/s
- HSUPA: até 5,8 Mbit/s de upload
- LTE (4G): 30 a 300 Mbit/s dependendo da operadora
Por que meu celular alterna entre HSDPA, GSM e LTE?
O smartphone busca sempre a rede mais rápida disponível. Se o 4G apresenta sinal fraco, ele troca para 3G (HSDPA) ou, em último caso, para 2G (GSM). Esse “pula-pula” é automático e garante que chamadas de voz não sejam derrubadas.
Em áreas internas, paredes grossas reduzem a penetração do 4G nos 2.600 MHz, fazendo o dispositivo alternar para 1.800 MHz ou 900 MHz no 3G. É por isso que, dentro de elevadores ou garagens, o indicador costuma cair para “E” ou “H”.
Como verificar a tecnologia ativa no Android e no iOS
No Android, abra as Configurações, toque em Rede Móvel e procure “Tipo de rede”. Lá aparece se você está em GSM, WCDMA ou LTE. Já no iPhone, o caminho é Ajustes › Celular › Opções de Dados Celulares.
Alguns modelos permitem travar o uso em 4G apenas dados, reduzindo oscilações. Contudo, se o sinal for instável, talvez seja melhor deixar no automático para não perder chamadas.
E o 5G?
O 5G é a quinta geração e já opera em cidades como São Paulo, Brasília e Porto Alegre. Ele atinge picos de gigabit por segundo e possui latência abaixo de 10 ms, ideal para jogos na nuvem e streaming 4K. Mesmo assim, o 4G e o HSDPA continuarão ativos como redes de retaguarda por muitos anos.
Para usar 5G, é preciso um aparelho compatível com as bandas n78 (3,5 GHz) ou n258 (26 GHz). Os modelos mais populares custam hoje a partir de R$ 1.400 no varejo nacional.